A joia e o compartimento secreto.

Antes, eu tinha por habito de ir tomar café às 2 Amazonas mesmo em frente ao antigo terminal do Arco do Cego.  Foram 4/5 anos inteiros, todos os dias. E lá guardava muita coisa. Sim porque Homem que é Homem tem um esconderijo secreto na casa de banho de um café lisboeta.

Ainda lá está o Sr. Tavares, o seu bigode continua a parecer falso. Mas ao olhar pela janela da cozinha não é o Vincenzo que vejo… é um outro rapaz.
Quê feito do Vincenzo, Sr. Tavares? – Pergunto como se não tivesse estado desaparecido por mais de 4 anos.
Ao reconhecer-me o Sr. Tavares bate no peito, deixando cair o seu trapo limpa tudo. Segue-se uma panóplia de abraços, cafés e bagaço “tudo por conta da casa, oh Huck pá!”. Na minha cabeça só penso no raio do miúdo italiano, uma autentica fuinha que não merecia o mínimo de confiança, o único que sabia que na casa de banho das traseiras havia um compartimento secreto onde eu escondia uma série de coisas importantíssimas. Coisas que passo a enumerar. Uma copia de todos os meus documentos pessoais, a escritura da nossa loja da Rua dos Douradores, um estojo de chaves e um anel de valor ‘inestimável’ segundo a velhota que mo ofereceu.
Após 15 minutos de intenso saudosismo deixo cair a minha linha “Vou a casa de banho, amigo Tavares”.
Tudo na mesma, pequena, toda de azulejo branco, uma das paredes está coberta de pequenos calendários a começar do canto superior esquerdo em 1973. Com calma retraço a conta. Minha data de nascimento, menos o numero de dedos do Tavares, mais o numero de Grammys que o Stevie Wonder ganhou. Ali por trás daquele ano está um azulejo solto. Lá dentro estão as coisas todas dentro de um saco da Harrods.

Saio rapidamente da casa de banho e agradecendo ao Tavares peço para ele mandar cumprimentos ao Vincenzo.
“Epá, nem me digas. O Vincenzo levou uma bolada nas joias de família. Uma coisa aterradora. O estrago foi tanto que ele teve de voltar para Turim para tratar daquilo.”

Paro durante um segundo, “Foi bom ver-te, Tavares. Até breve.”

…Paletós:”Estranho mundo este. Um perde as joias outro volta a encontra-las.”

Huck
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Filed under História

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