“Que possas viver todos os dias da tua vida.”
Quando uma pessoa falece e ouve-se dizer que ela viveu um X de anos, estamos a ser, de certa forma enganados. Ok, é uma verdade num sentido biológico. Mas quantos destes anos foram mesmo vividos? O simples facto de estar a passar pelas 24 horas acordado e com o corpo a cumprir as funções básicas não é sinónimo de viver uma vida.
Há pouco mais de dois anos, quando o meu irmão saiu de casa ao casar-se, dei-me conta que por muitos anos que tenhamos passado a dormir no mesmo quarto, a jogar consola juntos, a discutir e a andar à bulha, muito ficou por viver. Sim, porque nas discussões, nos pequenos ciúmes (existem sempre entre irmãos), nos dias em que o rancor e a mágoa fazem com que ignoremos um ao outro por completo, nestes momentos, não vivemos a vida.
Desde Novembro, tenho visto e falado mais vezes com o meu irmão do que nos cerca de dois anos que se seguiram ao casamento dele. Para mim é uma oportunidade de viver. Viver e recuperar algum do tempo que nunca poderemos recuperar. Poder, aos (quase) 30 anos, passar tanto tempo na parvoíce, na conversa, nas risadas e nas preocupações com o mano de sempre foi uma das melhores coisas que tive nos últimos anos.
Não sei se é a ideia de que estou à beira dos 30 anos que me faz pensar assim, mas a verdade é que também desejo fazer o mesmo com outras pessoas que me são próximas. Quero ser o padrinho que o Pedro Ferreira merece, quero ser o filho que os meus pais merecem, quero ser o namorado que a Raquel merece, ser o servo que Ele merece… Claro que não é agora que tive esta iluminação, mas entendo hoje que se puder hoje passar por cima de uma briga, uma discussão, de uma chatice, de uma fronha mal-disposta, estarei a VIVER a minha vida.
Já são quase 10950 dias de existência pelo que o todo nunca será uma possibilidade. Mas quando chegar a hora, espero poder respirar fundo e dizer: “Eu vivi a minha vida.”
Tenham um bom dia!